8/02/2017

Lobão revela data que Roseana anunciará pré-candidatura ao governo

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Com 4 mandatos eletivos no Senado Federal, o ex-ministro Edison Lobão (PMDB) vem acumulando experiências políticas e tem se mostrado sereno e tranquilo em relação as turbulências, nas quais o seu partido vem passando no cenário nacional, e está convicto, também, de que o seu grupo político sairá vitorioso das eleições de 2018 no Maranhão.
Para falar um pouco mais sobre esses assuntos, o peemedebista concedeu uma entrevista exclusiva ao Blog do Neto Ferreira, na segunda-feira (31). Ele discorreu sobre as divergências internas do PMBD nacional, a impopularidade do presidente Michel Temer, as especulações sobre o grupo Sarney e a gestão do governador Flávio Dino (PCdoB).
Durante a conversa, Lobão confirmou que Roseana Sarney sairá como candidata ao governo do Maranhão pelo PMDB, acabando assim com as especulações. O parlamentar disse, ainda, que tentará a reeleição ao Senado Federal.
“Demonstrou que tem. Na última pesquisa, que foi feita pelo próprio partido do PMDB, ela está em primeiro lugar mesmo sem ter dito que é candidata.”, afirmou Edison Lobão (PMDB) ao ser questionado se Roseana Sarney (PMDB) tem força para barrar a reeleição de Flávio Dino (PCdoB) para o governo do Maranhão em 2018.
Após a entrevista, em um bate-papo informal com titular do Blog, Lobão comentou que Roseana Sarney oficializará a pré-candidatura em 20 ou 30 dias.
Leia a entrevista na íntegra:
Blog do Neto Ferreira – O PMDB nacional vive um momento delicado por conta de rachas tanto na Câmara Federal quanto no Senado. Um exemplo foi a troca de farpas entre os senadores Romero Jucá e o Roberto Requião por meio de vídeos. Como o senhor avalia essa situação? Isso desestrutura a governabilidade do presidente Michel Temer?
Senador Edison Lobão – “O PMDB sempre foi um partido que admitiu a divergência. Não se trata de luta, de uma discórdia acirrada. É uma divergência, que sempre houve no PMDB. Basta lhe dizer que havia dois partidos políticos no Brasil, após a extinção dos antigos em 1964, portanto há 53 anos, o PMDB era chamado de MDB, abrigava todas as correntes de pensamento, que não eram aquelas que se compunham com a revolução.
Da aí por diante, foram nascendo das entranhas do PMDB outras agremiações partidárias, diversas. Eu até diria todas que temos hoje. Portanto, esse assunto de divergência houve sempre, mas elas não comprometem a ação do PMDB no Parlamento, no que diz respeito ao governo atual. Nós temos 22 senadores, dos quais divergem da posição central apenas 4. Então, você verifica que em 22 é um número pequeno, os demais estão sólidos com o governo do presidente Temer.
O caso do [Roberto] Requião, trata-se de um senador talentoso, inteligente, grande líder. Ele já foi governador 3 vezes, é senador pela segunda vez, foi prefeito da capital. Tem estofo, liderança. Nós até cogitamos, em certo momento, lançá-lo candidato presidente da República, mas nesse momento, de fato, Requião está divergindo intensamente do atual governo. O que não quer dizer que tenha que deixar o partido.
Não apenas ele, mas o senador Eduardo Braga do Amazonas. E, ainda, o senador Renan [Calheiros], o poderoso líder, que já foi presidente do Senado pela terceira vez, que deixou a liderança do partido pela divergência que tem com o atual governo por causa das reformas trabalhista e da previdência, mas a vida continua e é interesse do Brasil ter um pouco de serenidade, de tranquilidade nesse momento. Nós não podemos estar substituindo presidente da República a cada esquina, a cada momento, pois quem sofre são as instituições democráticas, o país de modo geral e a sociedade. Portanto, não pense jamais que nós vamos negar apoio ao atual governo. Vamos, sim, mantê-lo, conservá-lo, até em benefícios dessas instituições. Nós temos uma eleição que chegará dentro de 1 ano e 3 meses, não há como cogitar a substituição do presidente da República.
Blog – Senador, o senhor acha que essa mudança de presidente afeta diretamente a questão econômica do país?
Lobão – “Acho sim! Acho que isso cria a instabilidade. A instabilidade é o maior adubo para o oferecimento do pressupostos econômicos do país. Nós temos que ter um país, um governo, em regime com estabilidade para que o capital se sinta tranquilo para aqui permanecer e vir do exterior, portanto a estabilidade é o instrumento número 1 da presença do capital e para o desenvolvimento econômico.”
Blog – Senador, como é a sua avaliação do governo Michel Temer, pois a impopularidade dele é muito alta? Isso afeta o PMDB no geral?
Lobão – “Os Parlamentos no mundo inteiro são desamados. Um amor pelo Congresso do Brasil, da França, da Itália, dos Estados Unidos, porém parlamentares isolados em seus estados tem prestígio. O que eu quero com isso dizer, é que o PMDB, que é solidário ao presidente da República, não depende de Temer para renovar os seus quadros ou mantê-los nos estados. A eleição é independente do que acontece lá em Brasília. Os senadores de Alagoas nada tem a ver na sua revisão com o desempenho ou não do presidente da República.
Agora, tem até uma curiosidade em tudo isso. É que o governo vai razoavelmente bem. Há uma visível recuperação econômica já com a retomada do emprego, do prestígio do país no exterior. A popularidade do presidente da República, de fato, é baixíssima. Nunca um presidente da República teve tão baixa popularidade quanto o Michel Temer. Todavia, o governo dele não está no mesmo patamar dos outros, está acima. E essa impopularidade é justa? Eu acho que não é. Ele está fazendo as reformas que deve fazer e está colocando o país no trilho do crescimento, do desenvolvimento e na retomada da empregabilidade.”
Blog- O senhor acha que as reformas são pontos que podem ser favoráveis para essa impopularidade do presidente Michel Temer?
Lobão – “Eu acho que sim. Hoje, todos nós temos uma relação com a Legislação Trabalhista, com a Previdência. Os que são aposentados, os que virão a ser. E nós, como opinião pública, não gostamos da modificação do status quo. Muitas vezes não pensamos o que pode acontecer amanhã. A reforma trabalhista é necessária e não se está tirando o direito de ninguém. O que se está fazendo é modernizando a relação capital-trabalho. O ponto principal é que as negociações entre as partes, o empresário e os trabalhadores, podem ser feitas livremente. Como se faz nos Estados Unidos, na Inglaterra, França, na Alemanha. O que Brasil está fazendo é copiando a modernidade de outros países para aplicá-la aqui, com o objetivo de auxiliar os brasileiros na obtenção de seus empregos.”
Blog – O grupo Sarney está acuado em questão de declarações, que realmente terá um candidato ao governo. O senhor poderia afirmar que o grupo Sarney vai ter candidato ao governo? E quem será?
Lobão – “Nós todos amamos nosso estado. Nenhum de nós quer que o governo atual resulte mal. Desde o começo foi assim, nosso adversário, porém queríamos que ele [Flávio Dino] fizesse uma boa gestão. À medida que o governador tenha um bom desempenho, está ajudando o povo. Então, nós nos afastamos com a eleição, mas acompanhando em silêncio para não atrapalhar o desempenho dele.
Nós estamos nos aproximando da eleição do próximo ano, então temos que ter uma posição. Já decidimos que será o nosso candidato a governador, que é a Roseana Sarney. É a nossa candidata. Já está tudo certo. Ela vai tomar esta bandeira e vai liderar o nosso grupo mais uma vez.
Hoje, eu sou o senador mais antigo do senado, não o mais velho. Sou o portador de 4 mandatos no Senado. Era o senador Sarney com 5, sou eu agora com 4. Eu ganhei ao longo desses anos alguma experiência como deputado, governador, ministro em dois governos [Lula e Dilma]. Posso dizer que ela [Roseana Sarney] está animadíssima e tem todas as condições de fazer vitorioso o nosso grupo outra vez.
O que se deu há três anos foi que havia um sentimento popular, da mudança, e essa mudança afetou muitos estados brasileiros. Agora passou a fase da mudança, estamos dentro da realidade. O povo, no próximo ano, dirá se está satisfeito com a mudança que foi feita ou não. Se não está, vai eleger a nossa candidata, os nossos deputados estaduais e federais, e senadores.”
Blog – Roseana [Sarney] dependerá do cenário nacional do PMDB para se eleger? O presidente Michel Temer virá participar das eleições aqui no Maranhão?
Lobão – “A nossa eleição aqui, assim como em São Paulo, no Mato Grosso não depende do desempenho popular do presidente da República. Nós temos a nossa imagem, ela [Roseana Sarney] tem a dela, eu tenho a minha. Os deputados tem as suas, João Alberto tem a dele, o Roberto Rocha também, que é um político que está se projetando. Todos nós temos a nossa imagem. E, isso não depende da imagem do presidente [Michel Temer]. O que não quer dizer que ele não possa nos ajudar, pois sempre terá meios de ser solidário com o estado do Maranhão.
Hoje [segunda-feira (31)] mesmo, tivemos uma reunião aqui em São Luís com o ministro da Saúde, que veio ao Maranhão para nos ajudar. Então, você verifica que ele [Michel Temer] está com a disposição e determinação para nos apoiar. Essa é a forma mais concreta que o governo dele tem para demonstrar que está conosco.”
Blog – O senhor vai disputar a reeleição para o Senado Federal?
Lobão – “É o meu desejo de disputar a reeleição. Ou eu ou o senador [suplente] Lobão Filho, que foi parlamentar durante 7 anos com excelente desempenho, quando ministro de Minas e Energia. Nesse período, trouxemos aqui para o nosso estado, energia elétrica para residência de 1,5 milhão de maranhenses. O Maranhão tem 7 milhões de habitantes e 1,5 milhão não tinham luz em casa. Eu, como ministro, com autorização do presidente Lula, fiz essa obra gigantesca de inclusão social do povo mais pobre do nosso estado.
Por tudo que já fiz pelo nosso estado, faz com que eu volte a ser candidato, pois fui governador, deputado de dois mandatos, ministro. Então, posso fazer muito pelo estado. E, não sendo eu, seria o senador Lobão Filho, que teve um bom desempenho como candidato a governador. Mas estou convencido de que ele próprio prefere que eu seja o candidato.”
Blog – Como fica o senador João Alberto? Uma vez que o ministro Sarney Filho já lançou a pré-candidatura dele ao senado?
Lobão- “Nós temos duas vagas para o Senado. O eleitor votará em dois e não em apenas um. Pelo nosso grupo, seria eu e Sarney Filho o outro. O senador João Alberto tem conversado muito com o deputado Sarney Filho, eu creio que eles acertaram isto [Sarney Filho como candidato a senador]. Mas, se amanhã o senador João Alberto desejar ser o candidato a vaga é dele. É um grande maranhense, já foi governador, deputado, estadual, federal, prefeito. Ele é um político de grande dimensão nacional e ocupa cargos importantes na esfera nacional. Então, a vaga está reservada para João Alberto. Se ele, em uma composição com o deputado Sarney Filho, abrir mão para o deputado ser o candidato, nós estamos de acordo.”
Blog – E o anúncio oficial das pré-candidaturas será quando?
Lobão- “Esse não é o momento de ser pensar em campanha eleitoral. Nós estamos nas tratativas. O que eu posso dizer é que a Roseana Sarney aceita ser a candidata ao governo do Estado. E, com ela, nós vamos atravessar o Maranhão em todas as suas latitudes, mais um vez, e o meu convencimento é que sairá vitoriosa.”
Blog – Como o senhor avalia o governo Flávio Dino?
Lobão – “Eu penso que a melhor avaliação que se pode fazer do governo dele [Flávio Dino] é o que as pesquisas estão demonstrando e o que povo dirá no próximo ano. Essa é a avaliação definitiva. O povo tem a sua forma de avaliar, que é na urna eletrônica. Se tiver satisfeito com ele, dirá sim, caso contrário, responderá que á não.
De pouco adiantaria eu ou outro fazer comentários da administração de Flávio Dino, o que de fato importa, é fundamental e sólido, é o que o povo dirá nas pesquisas, que já estão sendo feitas e, mais ainda, no próximo ano.”
Blog – A candidatura de Roseana Sarney tem força para barrar a reeleição do governador Flávio Dino?
Lobão – “Demonstrou que tem. Na última pesquisa, que foi feita pelo próprio partido do PMDB, ela está em primeiro lugar sem dizer que é candidata, pois até hoje não disse. Eu que estou dizendo. Portanto, sem dizê-lo, ela já está em primeiro lugar. Desse modo tem força de sobra para pleitear o seu retorno ao Palácio dos Leões”